Gestão do Capital Humano - Mitos e Factos
Que fique claro que não vou entrar na estéril e estafada discussão sobre a morte anunciada da função Recursos Humanos e perdoem-me o eventual, optimismo, mas eu não alinho na lamúria, politicamente correcta, da falta de reconhecimento pela função que gere o Capital Humano nas organizações. Para esse, já dei há muito tempo!
Na verdade, vivemos num mundo fortemente influenciado por novos paradigmas económicos, como a Velocidade (mudança e inovação), a Globalização (complexidade e "coopetição"), Qualidade (cliente individual) e dinheiro barato (encontrar dinheiro é fácil. Difícil é encontrar talento). Este novo cenário tem vindo a fazer crescer continuamente a importância de factores como as marcas & patentes, o conhecimento, as competências de inovação e, "last, but not least" o Capital Humano" para o sucesso (e sobrevivência) das organizações.
Todos estes factores tem duas características. São intangíveis, isto é, não podem ser fisicamente sentidos (ou apalpados, como refere o dicionário da Porto Editora). Segundo estão fortemente ligados á gestão de pessoas.
Não é por acaso que alguns autores dizem que (pelo menos nos EUA) estamos no limiar da idade de ouro da Gestão de Recursos humanos. Na verdade, num mundo marcado pela crescente e esmagadora importância dos activos intangíveis e sabendo-se que estes são fortemente influenciados directa e indirectamente pelo Capital Humano, não é difícil de prever uma crescente valorização da função Recursos Humanos.
Outra razão tem a ver com a minha experiência de mais de vinte anos como profissional de Gestão do Capital Humano em Empresas de diversos sectores. Por um lado, nunca senti tanta procura e tanta valorização da função RH. Os empresários e os gestores deste país estão cada vez mais convencidos que "o activo mais importante são os colaboradores da empresa" e já começaram a perceber que as pessoas são também o activo e também mais difícil de gerir. Por outro, a qualidade dos novos profissionais da "arte de gerir pessoas" é incomparavelmente superior á que existia há uma ou duas décadas. Hoje entram e desenvolvem-se nas organizações pessoas com preparação de base adequada e motivadas para esta profissão. Felizmente passou o tempo das secretárias, militares, advogados ou de qualquer outro curioso com jeito ocuparem estes lugares.
Não temos, pois, razões para estar pessimistas.
Mas "não há bela sem senão". Se é verdade que actualmente a grande maioria dos empresários e gestores já está convencida da importância do Capital Humano da sua empresa", também não é menos verdade que a quase totalidade deles não conseguem perceber claramente e, principalmente, avaliar qual é o papel e a contribuição dos gestores de Recursos Humanos para a valorização desse activo estratégico.
Por que será que isto a acontece? Em minha opinião, por duas razões principais.